terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Mesmo que mude.

Os dias realmente estavam tão estranhos. Ela não sabia se eram os acasos, os novos rumos, os velhos defeitos... só reconhecia a mudança. Aquele dia foi diferente, ela reviveu o passado. Com um novo presente, tudo bem, mas ainda assim as mesmas histórias. E no rádio tocava repetidamente 'ele vai mudar...', será que chegou a hora? Quando tudo se inverte? 'Mas espera que ele ligue a qualquer hora para conversar...', ela tinha esperanças, é verdade. Se ele a amava porque simplesmente não deixava renascer? 'É sempre amor mesmo que alguém esqueça o que passou...' Já? Tão rápido? Lembrou como ele concordava com o autor da música: 'vai ter medo de que um dia ela vá mudar, que aprenda a esquecer sua velha paixão...'. Lembrava como ele a prometia que ia evitar aquela letra, lembrava... e ele? Porque simplesmente passava por cima? O erro foi dela? 'Pelo jeito não descarta uma nova paixão...'. Mas era imutável, não? Deveria perdurar, não? Quem errou? Qual o erro? Tem algo errado? E o que é certo? Ela só queria aqueles dias de novo, só. 'É sempre amor mesmo que mude..' Mudou. Ambos viveram as mesmas histórias e sabiam que um dia aconteceria, mas porque não evitar, logo agora? 'Vai ficar feliz de ver que ele também mudou...'. Mas ela não estava adaptada aquela nova situação, era diferente. O que fazer? Como fazer? Apenas não o fez. Deitou-se na cama e continou a ouvir a música repetida vezes: ‘mas espera que ele ligue a qualquer hora para conversar, perguntar se é tarde pra ligar... dizer que pensou nela, estava com saudade’.

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