segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ainda.



Eu vou te falar uma coisa e por mais que doa até o último espacinho da alma, eu prometo que cumprirei: se você me disser pra ir embora, eu vou. Diga que perdeu a graça, que não tem mais sentido, que achou alguém mais interessante e bem mais atraente que eu. Diga a pior das coisas, mas pelo amor de Deus, eu imploro, diga! Não me deixa com essa sensação de culpa sem saber o porquê e nem do que sou culpada. Se você quiser que eu vá, eu vou. Deixo pedaços quebrados pelo chão, buraquinhos que nunca serão mais preenchidos, milhares de sonhos pela metade, amor que poderia ter sido grande... Eu deixo. Eu deixo você seguir em frente, gostar de outras garotas, demonstrar o seu gostar por outras publicamente, sem preocupar se me atinge, eu juro que deixo. Mas me deixa saber também. Saber o que se passa aí dentro, ou se não passa mais nada, nem mesmo eu. Sabia que um dia seria assim e que um dos dois sempre ia carregar toda a culpa. Mas deixa só eu entender a acusação. Eu ponho um fim, eu prometo. E o fim é nunca mais ficar feliz quando ouvir um ‘feitos um pro outro’; o fim é não mais dormir com o celular do lado esperando uma mensagem sua, porque dessa vez não vai chegar; o fim é excluir todas as músicas que nem sei por que me levam a você; o fim é matar o ‘talvez amanhã ele apareça’; o fim é não ter talvez; é ter certeza, ponto final, fim, sem direito a segunda edição. É deixar pra trás manias, gostos, risadas e começar tudo de novo. Arrumar um jeito de preencher aqueles afazeres e pensamentos que eram nossos, não é fácil, todo mundo sabe disso. Mas dessa vez é diferente, não é a relação que está se desgastando, é o amor. Tempos atrás eu enlouqueceria só em pensar o dia que isso acontecesse. E hoje, diante disso tudo, me pego totalmente lúcida. Não vou enlouquecer, nem gritar, nem pedir colo. Não há pra quem pedir. Há semanas não te sinto mais. E isso há semanas atormentaria minha paz, mas hoje, passando por tudo, estou simplesmente aceitando. E isso é muito pequeno diante de tudo que vivemos, isso tem nome, e só o pronunciar do nome nunca indica bons tempos: isso é desistir. Sei que ainda tem amor. Pode sim ter outros interesses que baguncem tudo aí, mas ainda há amor, mesmo que quase pairando, bem acostumado, sem esperanças. Mas ainda há. Só o que falta é a coragem pra acreditar nele. A ausência de esforço pra tudo ficar bem. E dessa vez, rasgando tudo que ainda é vivo aqui dentro, não vai ficar bem. O vento que te trazia tarde da noite, parou de ventar. E de inventar. Sabe, pode ir. Eu deixo. Mas me deixa ficar... Ficar só um pouquinho. Fingir só por um instante que voltamos há dois anos e tem toda aquela euforia no peito. Porque se você quiser também, eu fico. E não deixo nunca mais você ir. Eu só quero saber o que você quer. Eu continuo aqui, inventando amores, me alegrando com horas repetidas, escondendo medo por trás de auto-segurança e fingindo pra todo mundo que não te espero, quando, na verdade, é só o que eu tenho feito. É só você dizer, não importa o que. Eu vou entender, como sempre. Mas não esquece que ainda há. Ainda ar. Ainda A. Leve, longe, raro, mas Ainda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário