domingo, 13 de setembro de 2009

Às vezes tudo muda e continua tudo no mesmo lugar.


Sabe o estranho disso tudo? Ter que permanecer quieta. Não poder demonstrar nenhum sentimento de alegria intensa, nenhum desequilíbrio, nada fora do padrão. Ignorar toda palpitação feliz no peito, mostrar que continua tudo igual e todas aquelas banalidades que aprendi com sua ausência. Ter que engolir o sorriso falso e o olhar racional de todo mundo e acreditar que eles estão certos. É isso que me mata e me transforma numa carcaça sorridente, bem forte, que supera tudo fácil, fácil. Eu não posso sofrer, entende? A vida é linda e não estar de acordo com ela é perca de tempo. Mesmo me sentindo tão só como nunca me senti na vida, ta tudo bem. Não se pode chorar, pois isso já é demonstrar muita fraqueza. Tenho que rir – desde que não seja por você. Porque rir por você é esquecer tudo o que eu nem sei e me iludir. Rir por você é deixar de lado todo mundo que não sabe porra nenhuma do sentimento aqui dentro, mas que sempre têm razão. Eu fico só com o coração. E coração é o que acaba com a gente. Então, meu coração não pode estar feliz por você dizer que ainda me ama. Olha que coisa mais louca, meu coração tem que ficar quietinho quando o assunto é você. Voluntário. Pronto. Enfiaram isso na minha cabeça e, como eu sou forte, aprendo rapidinho. Está vendo como estou feliz? Esse sorriso enorme não é por você. Estou tão contente e nem sei por quê. Mas é assim mesmo, a gente tem que rir sabe? Agora deixa eu me aproveitar do que você não pode ver (e vamos fingir que nem sentir): Meu coração ta tão pequenininho, eu também tento enfiar coisas nele, mas nem dá. Ele é mais teimoso que você! Às vezes tento conversar com ele, explico que gostar de você não pode. Então ele me pergunta o porquê e digo que ninguém diz que dar certo, inclusive minha cabeça. Mas ele não concorda, não entende. Não escuta ninguém! Até que ontem ele quase me trai. Quase acaba com o meu mês mais cheio de sorrisos que não sejam pra você. Ele tava rindo por você, acredita? Uma vontade de sair correndo, gritando, pulando, chorando, chamando pelo seu coração. Danado! Foi quase... Mas minha cabeça, sempre pontual, botou um filminho com o sorriso de reprovação de todo mundo. Então me banhei de frieza e disse o programado. Feito uma programação de Domingo, onde ta todo mundo em casa esperando ver aquelas histórias tristes que só servem pra deixar nosso Domingo mais triste ainda. Caralho! Porque a gente simplesmente não pode ser a gente?! Porque sempre esperar uma atitude sua, assim como você espera sempre uma minha? Que tanto amor é esse que sabe esperar? Que saudade é essa que aperta tanto, mas não se move? Que mulher da sua vida é essa que não está com você? Eu nunca vou entender. Às vezes eu não queria que você fosse tão parecido comigo. Na verdade, eu queria te dizer que também penso em você todos os dias. Quase te ligo toda noite. Vejo você em todos os lugares. Uso o que aprendi com você toda hora. Sufoco de saudade. Choro tanto que perco a fala. Ouço sua voz em todo ruído. Desaprendi a gostar de qualquer outra pessoa que não seja você. Ainda hoje espero o barulhinho de uma mensagem sua chegando. O dia todo fica sem nenhuma graça. Até as piadas diárias ficam menos engraçadas. Não tem nenhum objetivo. Nenhum propósito. Nenhum plano. Não tem nada! Nada aqui dentro. Nada, nada, nada. E você veio deixar só um pouquinho de esperança, mas eu não posso guardar. Criar expectativa já é muito pra minha cabeça que racionaliza tudo. Fica sufocando aqui, querendo sair... Queria agradecer, dizer que to feliz, que também te amo muito, te chamar de como eu achar melhor. Mas não dá, não posso ter sentimentos fortes. Nada de euforia, alegria intensa, amor dilacerado. Tem que continuar um vazio imenso em que você não pode estar. Você e nem ninguém. Não há nada... E tudo o que minha cabeça programou só aumenta essa tristeza. E, olha que hoje nem Domingo é.

"Tire o sono na rede, deixe a porta encostada, que o vento da madrugada já me leva pra você..."

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