domingo, 24 de maio de 2009

Um estranho no paraíso.

É que pra mim o mundo sempre vai ter cara daquelas manhãs frias, onde as pessoas acordam cedo mas não por obrigação, e sim pra sentir o vento bom da manhã. E algumas caminham sozinhas, mas sorriem por dentro, observando tudo e achando o dia lindo. Outras acompanhadas, de amigos e namorados. E ninguém tem pressa, ninguém reclama. Têm problemas sim. Mas elas continuam achando tudo lindo. É que no meu mundo as pessoas se arrependem e aprendem com os erros. No meu mundo elas sempre voltam atrás. E ninguém é ruim o bastante a ponto de não amar nada. Minha vida sempre vai ser um roteiro de um seriado americano, onde é tudo perto, é tudo forte. E as pessoas vão ser sempre inteligentes. Ninguém nunca me viu e me achou interessante. E eu nem ligo. Só deixo entrar no meu mundo quem tem coragem. Meu mundo é seletivo. Comigo as pessoas sempre arriscam e se entregam. Todas as vezes que alguém me observou um pouco mais de uma vez, me falou, tempo depois, com medo, que me acham um tanto quanto estranha. E eu penso ‘Ainda bem!’, mas nem digo nada... Elas nem entenderiam. As aparências nem enganam. Eu sou estranha pra caralho! É que no meu mundo as pessoas sempre me entendem. As pessoas são diferentes. E eu nem vivo idealizando tudo, mas eu só me meto onde tem diferença. E indiferença. No mundo dos diferentes, eu sou diferente. Diferentes dos diferentes, como já me disseram uma vez. E eu guardo sempre comigo. Eu vivo sempre sentindo. Ando com muita saudade de tudo. Quando tudo ta morno demais, choro só pra dar uma movimentação. Nem é estranheza, é coragem. No meu mundo é. Gosto de ser aquela que as pessoas não conseguem deixar pra trás. Aprendi desde cedo a esperar. E quando alguém vai embora, porque elas sempre vão embora, eu espero elas lembrarem que não se esqueceram de mim. E depois eu vejo que tinha razão. Mas já era, meu tempo é curto e a indiferença me domina. E eu nem volto, mas fico feliz. As pessoas sempre voltam. No meu universo é bem assim. Meu pensamento mora no mesmo lugar do meu coração e, vez ou outra, eles brigam. Mas sempre fazem as pazes. Aqui todo mundo perdoa o outro. Todos perdoam a si mesmo. Comigo os sofrimentos são sempre um problemão. A vida não tem sentido e tudo perde a cor. Mas é só o seu tempo. Logo, logo ele passa e eu fico rindo de tudo. E no meu mundo nem é desespero. Aqui habita sinceridade. Mas, vez ou outra, eu me confundo com os outros, e acabo pensando, sentindo [ou não sentindo], agindo... Igual a todos os demais. E acho tudo diferente. As pessoas são estranhas. Mas, demora um tempo, eu volto e tudo nem é tão ruim assim. No meu mundo as pessoas admiram sabedoria e aprendizagem. Agora, você, pessoa comum e estranha, vai ler esse texto e achar bem estranho, quem sabe goste... Mas sei que não sentiu nada. Ainda bem! Porque, no meu mundo, as pessoas entendem tudo com o olhar... E elas nem precisam se olhar pra entender.

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