
Eu te observo com os olhos. Com os olhos eu te devoro. Eu te sacio no olhar. Meus olhos não mentem, mas se enganam. Eu te passei a coragem e a confiança, mas teus olhos estavam um pouco fora do foco. Quando eles se cruzavam, mero detalhe das ocasiões, abria-se um sorriso, pra que não pudéssemos ver tanto medo do ser. E de medo em medo, não éramos nada. Éramos olhares confusos e perdidos tentando enxergar na mesma direção, mas nunca se achavam. E ninguém achava. Não achávamos nada. Não se pode achar nada de algo que não é. Teus olhos decidiram enxergar novos caminhos. Achei melhor fechar os meus. Respirava por obrigação, acordava por esperar. Esperar pra acordar de novo, e de novo a história se repetia de velha. Agora continuo enxergando, tem algo me esperando. Não sei o que, nem quando, nem como, mas vai vir. E eu não preciso me esforçar tanto, aos poucos vou chegando lá. Abrindo os olhos lentamente. Posso ver tudo ali mais uma vez. Perdi o foco, mas não desloquei a linha reta. O que será meu será meu! Por opção e não por destino. Meus olhos vêem além. Passa por cima, estende-se, brilha, ofusca, confunde. Mas não mente. Ninguém pode esquecer disso ao me conhecer: meus olhos me entregam. E me fazem entregar. Use disso ao seu favor. Use disso ao nosso favor. Pare, observe, mas não desvie. Escolha um caminho e vá nele até o fim. Jogue baixo, jogue por baixo. Há tempo para se doar e tempo para se guardar. Estou me guardando. Não por covardia, medo ou cautela... Mas por opção. Já é tempo. Guardo e aguardo. Enquanto isso, eu os observo, os analiso, os admiro e os renego... Meus olhos é que me matam. Como já bem disse Machado: olhos de cigana, oblíqua e dissimulada. Eles não mentem... Mas escondem.
